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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Água e saneamento básico

Planeta Sustentável
A água que podemos consumir existe em pequena proporção no planeta. Por isso, ela deve ser preservada e seu tratamento é tão importante. Explore o tema com a turma e estimule um consumo mais consciente nos alunos


Esgoto

Objetivos

  • Identificar a água útil para consumo
  • Entender o sistema de distribuição residencial da água e a formação de esgoto.
  • Compreender que quase metade das cidades brasileiras não tem saneamento básico e qual o papel do esgoto para a saúde pública da população

Conteúdo
  • Água
  • Saneamento básico

Anos 
4º e 5º anos do Ensino Fundamental

Tempo estimado 
Duas aulas

Material necessário
  • Tampinhas plásticas ou botões
  • Barbante
  • Cartolina
  • Cola para plástico
  • Solução de Sulfato de Alumínio
  • Solução de Hidróxido de Cálcio
  • Funil de vidro
  • Papel filtro
  • Béqueres

Introdução
A água potável é aquela que tem qualidade para ser consumida. Sempre é incolor (sem cor), inodora (não tem cheiro) e insípida (sem sabor). Ela chega nas torneiras tratada e é captada em fontes de água doce como a Bacia Amazônica, a maior do Brasil, alimentada pelo gigante Rio Amazonas.  Embora nosso país tenha grandes reservatórios de água doce, no planeta ela não existe em grandes quantidades. Apenas 3% de toda a água do planeta é potável.

O resultado de tudo o que é feito com a água, isto é, aquilo que vai para o ralo é o esgoto.  Toda vez que usamos a torneira ou tomamos banho, por exemplo, a água e outros materiais vão s para um conjunto de tubulações até as Estações de Tratamento. Lá, o esgoto é analisado e tratado de acordo com os seus componentes: dejetos humanos, restos de alimentos e micróbios.

Nas grandes cidades, as empresas de tratamento de água têm desempenhado um papel importante para a qualidade da água  oferecida à população. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 90% da população brasileira tem acesso à água potável, índice semelhante ao de países desenvolvidos. Com os investimentos mais recentes, o objetivo é que até 2012 esta porcentagem aumente para 92% da população.

Já o índice de saneamento básico é pior, 25% da população não tem acesso a este benefício ou tem com precariedade. Juntamente com a meta de distribuição de água potável, o relatório do PNUD estabelece que o saneamento básico deve ser garantido para 85,5% da população até 2015.

Situação ainda mais grave é a coleta e tratamento de esgoto: apenas 55,2% das cidades brasileiras têm coleta de esgoto e  só 1/3 fazem o tratamento do que é coletado. As pessoas que mais sofrem com essa situação vivem em  áreas rurais e regiões periféricas dos grandes centros urbanos, principalmente no norte e Nordeste. Esse é um entrave para o cumprimento das metas estabelecidas pela ONU.

Aproveite que no Ensino Fundamental 1 as crianças precisam ser despertas para uma atitude curiosa e questionadora e use experiências práticas para estimular o cuidado com a água que consomem em casa e na escola. Ainda não é o momento para respostas mais complexas, que serão entendidas nos anos seguintes. Mesmo assim, fique atento para que as dúvidas das crianças sejam respondidas da maneira correta.

Leia mais Gasto de água na indústria e na agropecuária
Leia mais Série de planos de aula sobre água

Desenvolvimento
Aula 1
No quarto e no quinto ano, as crianças ainda não têm uma noção exata de proporcionalidade. Quando dizemos em 100% elas podem até entender que isso corresponde à totalidade de alguma coisa. Mas quando os números são distantes de 0, de 50 ou de 100, elas apresentam dificuldade. Para que os alunos entendam que apenas 3% da água disponível na Terra é potável, faça um experimento prático.

Peça que tragam tampinhas plásticas ou botões de roupa. Divida a classe de tal maneira que você tenha 100 tampinhas ou botões. Se puder, fure as tampinhas.Uma vez de posse desse material, separe 97 tampinhas ou botões para simbolizar a água salgada da Terra. As outras 3 peças vão simbolizar a água doce . Nessa separação escolha 3 peças que sejam da mesma cor. Se não houver essa possibilidade providencie uma maneira de identificá-las (pintura ou fita adesiva colorida são os mais indicados, o importante é que estas três estejam diferentes das demais). Nesse momento é hora de discutir com os alunos como a água adequada para o consumo existe em pouca quantidade. Pergunte como consomem a água em casa e explique que, embora o Brasil tenha uma reserva grande de água potável, a escassez deste recurso é um problema que, provavelmente, enfrentaremos no futuro. O que eles fazem para economizar água? O que pode ser feito? Ouça as respostas e corrija alguma informação, explicando alternativas à turma.

Se as tampinhas estiverem furadas você poderá colocá-las em um barbante e formar um varal. Lembre-se de separar as 3 tampinhas das demais 97. Se não houver possibilidade de furar as tampinhas, elas poderão ser coladas em uma folha de cartolina. Como os botões já são furados, é mais fácil utilizar o barbante.

Aula 2
Essa aula é importante para os alunos se conscientizarem do trabalho que é feito nas estações de tratamento de água. Misture um pouco de água com terra de jardim ou combine com o pessoal da limpeza do colégio não jogar a água suja fora por um dia - mas tenha certeza que a água estará bem suja!

Divida a sala em pequenos grupos de trabalho e separe um pouco dessa água suja para os grupos, em torno de 100 mL. Pingue 10 gotas de solução de Sulfato de Alumínio e espere alguns segundos. Logo depois pingue 10 gotas de Hidróxido de Cálcio e espere o resultado. As partículas de sujeira vão se aglutinar e, como serão mais pesadas que a água, irão decantar no fundo do recipiente.

Prepare em um recipiente uma filtração com um funil e um papel filtro. Peça aos alunos que despejem a água do recipiente tomando cuidado para não virar junto com a sujeira que se decantou no fundo. Recolha essa água filtrada em outro recipiente e compare as cores. Ao longo da atividade  tire fotos do trabalho dos alunos e dos resultados obtidos. Com essas fotos monte um mural  e peça que os alunos identifiquem as etapas e expliquem o que está acontecendo em cada uma delas.

Durante o experimento, faça relações com o funcionamento do sistema de tratamento do esgoto. Explique que a água que consumimos é encaminhada até estações onde serão tratadas. Mostre como a sujeira se acumula no fundo do recipiente e diga como é importante que os dejetos que ficam na água que consumimos sejam tratados, em vez de ficarem expostos ou serem jogados nos rios. Diga que este tipo de atitude prejudica o meio ambiente e também a nossa saúde.

AvaliaçãoObserve se os alunos compreenderam que há pouca água potável no mundo. Conversando com a turma e pedindo alternativas para diminuição, perceba se entenderam como a preservação deste recurso é importante. Veja também se a experiência com a água suja fez com que entendessem que depois que utilizamos a água ela contém dejetos que não podem ficar expostos e por isso seu tratamento é tão importante.

COMPONENTES BIÓTICOS E ABIÓTICOS

Nessa sequência de trabalho, você vai ver como trabalhar os conceitos de componente biótico e abiótico, ensinando a turma a concluir o que é vida.
Objetivos - Diferenciar componentes bióticos e abióticos.
- Caracterizar componentes bióticos.

Conteúdo - Componentes bióticos e abióticos.

Anos Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Tempo estimado Um mês.

Material necessário Sementes de feijão, 1 kg de terra para plantio, 2 recipientes fundos ou dois vasos pequenos, 1 fruta ou fatia de pão, 1 saco plástico transparente, ½ Kg de areia, ½ L de água e 2 copos com tampa ou filme plástico.
Desenvolvimento

1ª etapa Comece solicitando aos alunos que façam duas listas: uma de seres vivos (componentes bióticos) e uma de seres não vivos (componentes abióticos). De modo geral, essas listas não devem apresentar grandes diferenças. Na lista referente aos seres vivos, é mais comum aparecer: "animais" e "plantas", por exemplo. Já a lista de seres não vivos pode incluir: "rochas"," vento" e "solo". "Solo" e "água" podem aparecer nas listas como componentes bióticos, pois os estudantes podem confundir esses ambientes , onde vivem seres vivos, com seres vivos. Pergunte o que levou a essa primeira categorização. É importante discutir coletivamente as hipóteses dos alunos, de modo que possam iniciar uma investigação sobre as características comuns a todos os seres vivos (capacidade de reprodução, evolução, manutenção de metabolismo - produção de energia na alimentação ou respiração) e quais características os distinguem dos componentes abióticos. Pergunte aos alunos quais características eles consideram importantes para identificar um ser vivo e solicite que registrem essa informação.

2ª etapa
Informe que a turma fará observações de diferentes seres vivos. Nesse momento, é importante plantar os feijões e informar aos alunos que eles vão observá-los por cerca de 10 dias. Para a germinação e desenvolvimento das sementes, coloque metade da terra no recipiente ou vaso e sobre essa camada de terra, coloque cerca de 5 feijões. Regue, sem encharcar. Repita o procedimento no segundo recipiente. A rega deve ser feita de acordo com o clima de cada região, mas é importante deixar a terra sempre úmida. Caso opte por utilizar a fruta para o experimento, prefira as suculentas, como pêra ou mamão. O pão pode ser o tipo "francês"/"de sal".
Volte à lista inicial feita pelos alunos e identifique os feijões como as plantas que eles mencionaram. Solicite que definam um animal para observar. Pode ser um ser humano, por exemplo, um filho/sobrinho/neto em crescimento, ou um animal de estimação que tenham em casa e que tenha crescido com eles. Caso essa observação não seja possível, solicite que pensem sobre o próprio crescimento, desde que nasceram. Direcione a observação dos alunos, com os seguintes questionamentos:
1) As plantas e animais se alimentam?
2) Do que as plantas se alimentam?
3) Do que os animais se alimentam?
4) Animais e plantas crescem?
5) Do que os animais e plantas precisam para se desenvolver?
6) Os animais e plantas podem gerar seres semelhantes a eles?

3ª etapa Pergunte aos alunos o que eles acham da seguinte informação: há seres vivos que não conseguimos enxergar ao nosso redor. Nessa etapa, os alunos devem montar um experimento para verificar a existência de outros seres vivos, além das plantas e animais. O objetivo dessa investigação é perceber a presença de fungos. É possível que alguns alunos já os conheçam. Porém, é importante que essa atividade seja realizada para que todos esclareçam que não apenas os animais e as plantas são seres vivos.
Coloque a fatia de pão ou a fruta no saco plástico transparente e feche-o de modo que os alunos possam observar o que acontece no interior do saco plástico. O saco plástico deve ficar em um local que não recebe a luz solar diretamente. Questione os alunos sobre o que eles acham que pode acontecer no alimento após alguns dias? A resposta mais comum é: "estragar". Portanto, nesse caso, é importante perguntar: "o que é estragar?", "por que isso acontece?".
A observação deverá ter cerca de 2 semanas. Algumas vezes, é possível observar as colônias de fungos antes desse tempo. Os questionamentos relacionados aos animais e plantas também podem ser feitos nesse caso, para direcionar a observação (assim que os fungos ficarem visíveis a olho nu):
1) Que seres vivos são esses?
2) Do que os fungos se alimentam?
3) Fungos crescem?
4) Os fungos podem gerar seres semelhantes a eles?

4ª etapa Nessa etapa, a investigação será sobre os fatores abióticos. Solicite que os alunos coloquem em um dos copos a areia e no outro copo a água e tampem ambos (é importante vedar bem, para que a água não evapore). Solicite que observem e respondam as mesmas questões feitas em relação aos animais e plantas anteriormente. Eles perceberão que não haverá mudanças nos copos. Eles também podem ser observados por cerca de 10 dias, para que o fator tempo não gere dúvida nos alunos - por exemplo, caso a observação fosse feita por apenas 1/ 2 dias, os alunos poderiam alegar que o tempo não foi suficiente para haver alguma alteração.
5ª etapa
A sistematização de todas essas informações é muito importante. Portanto, após as observações realizadas (componentes bióticos e abióticos), é importante retomar os questionamentos levantados, discuti-los com base nas informações obtidas e concluir que animais, plantas e fungos são componentes bióticos - crescem, se desenvolvem, produzem energia, podem gerar seres semelhantes a si próprios. Já a água e a areia são componentes abióticos - não crescem, não se alimentam, não geram descendentes, não sofreram alterações evolutivas ao longo do tempo. A leitura de textos sobre a fotossíntese e sobre os fungos disponíveis no livro didático pode facilitar a sistematização das informações.

Avaliação Solicite aos alunos que voltem à lista inicial sobre componentes bióticos e abióticos e às hipóteses sobre as características dos seres vivos e façam as alterações necessárias, a partir das conclusões feitas durantes as investigações. Pode-se criar, coletivamente, por exemplo, cartões informativos, com exemplos dos seres bióticos e abióticos estudados e suas características.

Rio+20 em debate

Planeta Sustentável
A realização da Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável, prevista para ocorrer em junho deste ano, é uma ótima chance de refletir sobre mudanças climáticas, economia verde e exploração de recursos naturais. Veja como trabalhar esses e outros temas com as turmas de 8º e 9º anos
engajamento
Introdução Há duas décadas, ocorria a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio92 ou Eco92, na cidade do Rio de Janeiro. Passados vinte anos, está prevista para junho de 2012 a realização da Rio+20 - Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável. O evento é uma boa oportunidade para fazer balanços e apontar rumos e perspectivas para o futuro do planeta. Estarão em pauta as práticas sustentáveis e o enfrentamento de importantes questões socioambientais em diferentes escalas geográficas. Como preparação, já estão ocorrendo inúmeras reuniões setoriais entre ativistas, representantes do poder público, empresas, pesquisadores e demais interessados. A proximidade da conferência também suscita debates dentro das escolas - eis o objetivo deste plano de aula, sem a pretensão de esgotar todos os temas envolvidos.

Objetivos - Analisar problemas de natureza socioambiental.
- Conhecer princípios e proposições sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
- Compreender o conceito de desenvolvimento sustentável e avaliar os desafios para sua implementação.
- Estabelecer relações entre proteção ao meio ambiente, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento econômico-social.
- Saber utilizar a leitura, a produção de textos e a oralidade para discutir fatos e fenômenos socioambientais.

Conteúdos - Conferências das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.
- Desenvolvimento sustentável.
- Biodiversidade.
- Mudanças climáticas e aquecimento global.
- Pobreza e meio ambiente.
- Economia verde.
- Produção, consumo e exploração de recursos naturais.

Anos 8º e 9º anos.

Tempo estimado

Oito aulas.

Material necessário - Papel sulfite, lápis, borracha, cartolina ou papel kraft e canetinhas.
- Material de pesquisa: livros, revistas, textos e vídeos (ver sugestões ao longo do texto e no quadro ao final desta sequência didática) e computador com acesso à internet - verificar a possibilidade de utilizar o laboratório de informática da escola, se presente.
Atenção: desde o início do trabalho, recomende aos estudantes que reutilizem papeis como rascunhos e reaproveitem materiais escolares sempre que possível. É importante que todos os resíduos da produção dos alunos sejam descartados corretamente e encaminhados para a coleta seletiva de lixo, se disponível no seu município.

Desenvolvimento 1ª etapa Nas três primeiras aulas, promova rodas de conversa para verificar o que os estudantes já sabem sobre a Rio+20 e as principais questões que estarão em pauta na conferência. Fique atento às colocações e registre as falas na lousa. Nas próximas etapas, essas informações servirão como guia para pesquisas e debates e para verificar hipóteses levantadas pela turma. Ao final dessas rodadas, peça que os alunos se dividam em grupos e façam um levantamento sobre a conferência Rio 92 e a leitura de documentos relacionados ao evento. Entre eles, estão a Declaração de Princípios, a Agenda 21 e materiais sobre florestas, mudanças climáticas e diversidade biológica, disponíveis na página da Organização das Nações Unidas (ONU). Se for necessário, proponha que os grupos dividam entre si temas e textos para pesquisa.
Na discussão coletiva dos levantamentos feitos pelos grupos, faça-os notar que a Declaração de Princípios sinaliza a necessidade de cooperação entre os países, por meio de parcerias para a proteção do meio ambiente, e da priorização das necessidades dos países ditos em desenvolvimento - como veremos adiante, relações assimétricas entre povos e nações têm sito um obstáculo ao alcance das metas. O documento reforça ainda o papel das mulheres e das populações tradicionais na gestão ambiental e no desenvolvimento sustentável.
A Agenda 21, por sua vez, é um documento-chave para formular programas de ação referentes a um grande conjunto de temas, como cooperação internacional, combate ao desmatamento, manejo de recursos hídricos, ecossistemas frágeis, resíduos perigosos e formação de arranjos institucionais capazes de dar respostas rápidas às demandas socioambientais. A ideia é que cada país adapte sua legislação e seu arcabouço político-institucional aos novos desafios, criando sua própria agenda.
Os demais documentos estabelecem princípios e critérios específicos, como ganhar eficiência energética, buscar fontes de energia limpas e alternativas, criar unidades de conservação, reorganizar as práticas agrícolas para conter o desmatamento e reduzir emissões de gases de efeito-estufa. Se necessário, trabalhe estudos de caso com a turma.
Proponha, a elaboração de quadros-síntese sobre os temas abordados, usando cartolina. É essencial que os estudantes compreendam a concepção de desenvolvimento sustentável, elaborada em 1987 no relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland, e consolidada nos documentos da Rio92. O nome do documento remete à  Gro Harlem Brundtland, que chefiou a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento para estudar as questões ambientais.
Existem documentos recentes da ONU que também enfatizam os pilares do desenvolvimento sustentável: o econômico, o social e o ambiental, com a ideia central de utilizar os recursos de forma a garanti-los para as gerações futuras. Leve em conta que há diferentes formas de apropriação desse objetivo central pelos atores sociais, uma expressão de interesses e pontos de vista distintos. Para solucionar questões conceituais, é possível usar como referência o texto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) intitulado Vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiente.
2ª etapa Reserve de três a quatro aulas para aprofundar as discussões a respeito das expectativas para a conferência Rio+20. Proponha que os alunos, novamente organizados em pequenos grupos, que façam a leitura das reportagens O que esperar da Rio+20  e Rio+20 deve focar nos limites do planeta. Outra leitura interessante é aentrevista de Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Peça que os grupos destaquem os principais aspectos dos textos e socializem suas impressões em uma roda de conversa. Nesse debate, considere que o documento-base da ONU para a conferência Rio+20, chamado O futuro que queremos, reafirma princípios e programas de ação da Rio92 e aborda a construção de uma economia verde e o fortalecimento institucional - incluindo a participação efetiva dos cidadãos - a partir dos três pilares do desenvolvimento sustentável. Se julgar necessário, separe trechos desse documento para que os alunos leiam e façam explanações sobre eles.
Considere ainda que o documento oficial tem recebido críticas. Entre elas, a de não focalizar os limites e as capacidades naturais do planeta, diante da escalada da produção e do consumo de bens, e as principais questões ambientais propriamente ditas. Especialistas apontam em seus depoimentos que estarão presentes na conferência não apenas temas sugeridos no documento, como aquecimento global, mudanças climáticas, biodiversidade e economia verde, mas também assuntos como energia e cidades sustentáveis.
Diga aos alunos que eles podem pesquisar informações adicionais em documentos como oProtocolo de Quioto, que estabelece prazos e metas obrigatórias para a redução de gases de efeito-estufa. Nesse sentido, comente que a não adesão dos Estados Unidos diminuiu em muito o alcance do acordo. Hoje, discute-se a prorrogação do protocolo, ainda que com forte resistência dos estadunidenses e também do Japão, da Rússia e da Austrália. Contudo, isso não impede que outros países desenvolvam formas de atenuar o uso intensivo de combustíveis fósseis e invistam em fontes alternativas de energia, como já ocorre no Brasil, na China, na Europa ocidental e em países africanos como o Quênia.
Já para abordar a questão da economia verde, que pressupõe baixa emissão de carbono, investimentos em tecnologias de diferentes ramos e setores, da produção ao consumo, eficiência no uso de recursos e inclusão social, proponha a leitura e o debate do texto Rio+20: Mudanças climáticas, biodiversidade e crescimento verde.
Para finalizar, esclareça que a erradicação da pobreza não está desvinculada de todas essas questões. O enfrentamento das grandes desigualdades sociais depende de políticas públicas de transferência de renda e investimentos em infraestruturas e serviços que promovam o bem-estar social (saneamento básico, saúde, educação, habitação, entre outros). E estímulos para criar empregos ditos "verdes" podem se constituir em alternativas de geração de renda. Há muitas experiências em curso, como obras para melhor gerir a água na agricultura em áreas afetadas por longas estiagens, créditos e assistência técnica para a agricultura familiar e construção de habitações que permitam remover famílias de áreas de risco. É fato que a população de baixa renda é a mais atingida por extremos climáticos e pelo uso e ocupação inadequados do solo. As proposições e os dados discutidos podem ser dispostos pelos alunos em cartolinas, formando novos quadros-síntese.

3ª etapa Sugira aos alunos que, em grupos, elaborem painéis ilustrados sobre as aulas anteriores, com textos explicativos, imagens, mapas, gráficos e outros elementos. O resultado pode ser debatido entre todos os integrantes da turma, contando ainda com a presença de outros estudantes da escola. Considere a possibilidade de realizar uma exposição dos trabalhos e propostas complementares, como um levantamento sobre a situação da realidade local, tendo em vista os temas-chave previstos para a Rio+20: se há uma agenda local e como ela tem funcionado; como são os investimentos em transporte público, ciclovias, saneamento básico, espaços públicos, áreas verdes e unidades de conservação; se existem restrições ao uso de automóveis e à construção de empreendimentos imobiliários que afetam mananciais e coberturas vegetais; qual é a situação da implantação de fontes alternativas de energia e da coleta seletiva de lixo.

Avaliação Durante as rodas de conversa, observe a participação dos alunos e a construção do conhecimento sobre os conteúdos propostos nesta sequência. Avalie também o material produzido pelos grupos nos quadros-síntese, ao final da primeira e da segunda etapa, e no painel ilustrado, ao término do trabalho, verificando se eles refletem um novo olhar da turma sobre os problemas de natureza socioambiental e o desenvolvimento sustentável.

Cadeias produtivas sustentáveis

Planeta Sustentável
Forneça subsídios para uma pesquisa sobre cadeias produtivas e discuta com a turma o papel de cada um dos envolvidos na busca por um sistema de produção e consumo mais sustentável
Cadeias produtivas sustentáveis


Objetivos
  • Analisar problemas de natureza social e ambiental e propor soluções.
  • Conhecer e analisar princípios e proposições sobre meio ambiente, desenvolvimento sustentável e economia verde.
  • Reconhecer e analisar medidas de proteção ambiental em cadeias produtivas e hábitos de consumo sustentáveis no Brasil e no mundo.
  • Estabelecer relações entre proteção ao meio ambiente, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento econômico-social.
  • Utilizar a leitura, a produção de textos e a oralidade para discutir fatos e fenômenos de natureza social e ambiental em diferentes escalas geográficas.

Conteúdos 
Cadeias produtivas, setores de atividade econômica, produção, circulação, consumo, especialização territorial produtiva, escala geográfica, economia verde, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

Anos 

8º e 9º anos.

Tempo estimado 

Cinco aulas.

Materiais necessários
  • Papel sulfite, lápis, borracha, cartolina ou papel kraft e canetinhas.
  • Material de pesquisa: livros, revistas, textos (ver sugestões ao longo deste plano de aula e no quadro ao final da página) e computador com acesso a internet - verificar a disponibilidade de uso do laboratório de informática da escola, se presente.
Atenção: recomende aos estudantes que evitem o desperdício de materiais e energia, reutilizem papeis como rascunhos e reaproveitem materiais escolares sempre que possível. É importante que todos os resíduos da produção dos alunos sejam descartados corretamente e encaminhados para a coleta seletiva de lixo, se disponível no seu município.

Introdução
O Brasil e o Rio de Janeiro foram novamente escolhidos para sediar um evento mundial sobre o meio ambiente. A Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20, será realizada na capital carioca em junho de 2012. Na pauta estarão, entre outros temas, a biodiversidade, as mudanças climáticas e o crescimento verde. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) tem estimulado também, nos documentos preparatórios para a conferência, o debate sobre a economia verde, que resulta em "melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica", na definição do Pnuma.

Discuta com os alunos o papel e a responsabilidade dos atores econômicos e dos sistemas produtivos - além dos governos e da sociedade em geral - na busca de formas mais sustentáveis e limpas de produção e consumo de bens. Trata-se ainda de uma reflexão sobre hábitos e estilos de vida. A proposta suscita debates em sala de aula, já que está vinculada à educação ambiental e ao consumo consciente. Este plano de aula oferece subsídios sobre o tema, sem a pretensão de esgotar todos os aspectos envolvidos.

Leia mais Meio ambiente e sustentabilidade

Leia mais Rio+20 em debate

Desenvolvimento 
Aula 1
Reserve as duas primeiras aulas para debater com os alunos o que eles já sabem ou ouviram falar sobre cadeias produtivas. Peça definições e exemplos e registre os resultados na lousa, criando um texto coletivo. Depois disso, explique que a cadeia produtiva é composta por todas as etapas da produção de bens, desde as que precedem a produção propriamente dita - como pesquisa científica, planejamento e design dos produtos - até o consumo final. Em seguida, peça que a turma examine, em duplas ou pequenos grupos, os quadros abaixo:


1. Cadeia produtiva do setor têxtil e de confecções


Cadeia produtiva do setor têxtil


2. Cadeia produtiva da pecuária de corte no Pará

Cadeia produtiva da pecuária de corte


Peça aos alunos que identifiquem as etapas e os processos de cada uma das cadeias produtivas apresentadas. Destaque que, em ambas, as matérias-primas essenciais vêm da produção agropecuária. Cada uma envolve ainda etapas de processamento industrial: circulação, distribuição e chegada aos pontos de venda para consumo final. Assinale que os setores e objetos geográficos (como fazendas, fábricas, locais de armazenagem e redes de transportes) estão interligados e inter-relacionados, formando um verdadeiro circuito. E que esse circuito tem uma expressão espacial, contando, em cada etapa, com especializações territoriais e sistemas de circulação (veículos, estradas) que devem garantir o fluxo dos bens.

Comente também a forte imbricação dos setores produtivos com os serviços e as atividades comerciais, assim como os vínculos da cadeia produtiva com o setor financeiro (para obter financiamentos, por exemplo) e o poder público (responsável pelas infraestruturas). Entre os serviços estão, por exemplo, limpeza, manutenção e reparo de máquinas e instalações, pesquisa, informática e publicidade.

Por fim, é importante que a turma perceba que uma cadeia ou circuito produtivo envolve relações em diferentes escalas geográficas, desde a produção local (nos exemplos citados, cultivo de algodão e criação de gado) até o comércio internacional, associado ao mercado externo. Vale notar a presença de insumos à produção dos bens primários, como sementes, fertilizantes, ração e vacinas para o gado, tornando a cadeia ainda mais complexa. Sugira aos estudantes que registrem as principais noções e informações discutidas. Para as próximas aulas, eles poderão pesquisar outras cadeias produtivas e trazer para a sala de aula mapas, esquemas e textos explicativos.

Aula 2
Com base no que foi discutido nas aulas anteriores, converse com a turma sobre o que seriam cadeias produtivas sustentáveis, objeto de estudo deste plano de aula. Ouça as opiniões e esclareça que uma cadeia desse tipo envolve preocupações com o meio ambiente e o uso sustentável dos recursos em todas as etapas que a constituem. Trata-se, portanto, de atenuar os possíveis impactos decorrentes da produção e do consumo de bens - e, nesse caso, fica ainda mais evidente a presença e as responsabilidades dos poderes públicos, dos trabalhadores e suas associações de classe, das comunidades e dos indivíduos.
Da produção ao consumo, existem inúmeros exemplos da introdução de práticas ambientalmente corretas, tanto no Brasil quanto no exterior. Comente alguns deles para que a turma reflita sobre o tema. Em aldeias e comunidades rurais da Índia e de Bangladesh já há incentivos para o uso da energia solar e do biogás, a custos acessíveis - o que reduz a pressão sobre as matérias-primas vegetais e a rede de eletricidade. Brasil, Índia e China, além de Alemanha e Dinamarca, estão entre as nações que mais investem em energias renováveis, buscando uma geração energética de baixa emissão de carbono. As usinas brasileiras de cana e etanol já atendem sua própria demanda de energia a partir da queima da palha da cana e de outros restos vegetais. No estado de Minas Gerais, siderúrgicas fabricam carvão vegetal a partir de florestas plantadas, diminuindo a pressão sobre matas nativas. Em São Paulo, uma lei municipal impôs a proibição da distribuição de sacolas plásticas nos supermercados, provocando a busca por alternativas, como sacolas de lona. O Brasil é também um exemplo positivo de reciclagem de resíduos: hoje, são recicladas 95% das latas de alumínio e 55% das garrafas de polietileno - a aprovação da lei que instituiu aPolítica Nacional de Resíduos Sólidos  em 2010 regulamentou o setor.
No mundo rural, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem recomendado reiteradamente o uso eficiente de água e energia e a utilização extensiva de nutrientes naturais e orgânicos nos solos, freando o uso de produtos químicos. Além disso, a ONU propõe a elevação dos investimentos em agricultura orgânica, na qual a Europa ocupa posição de destaque. No Brasil, há fortes pressões para que frigoríficos e redes de supermercados não comprem carne bovina oriunda de produtores rurais que desmatam (como ocorre nas franjas da Amazônia), utilizem trabalho escravo ou expulsem povos indígenas de suas terras.Embora ainda sejam episódicas, crescem as iniciativas e pressões para que as indústrias se responsabilizem pelo lixo resultante de seus produtos - como componentes, peças e embalagens - e criem sistemas de coleta, reciclagem ou reuso, que podem ocorrer em fábricas de outros ramos industriais. Esse processo recebe o nome de logística reversa.

Às economias verdes e cadeias produtivas sustentáveis deve ser somada a revisão de outras práticas sociais. Uma delas é a valorização do transporte coletivo e não motorizado, de modo a conter a expansão do automóvel individual, consumidor voraz de combustíveis, poluente e invasor de espaços públicos. Uma economia verde supõe ainda a criação de empregos "verdes", destinados a obras públicas de recuperação do capital natural do país (como já ocorre na Índia) e promoção do uso sustentável dos recursos disponíveis (caso da Amazônia, onde reservas extrativistas operam com a "floresta em pé". Peça aos estudantes que organizem e registrem as informações discutidas e, se necessário, pesquisem outras iniciativas semelhantes às mencionadas acima.

Aula 3
Proponha que a turma se divida em pequenos grupos, que escolherão cadeias produtivas para pesquisar e avaliar em que medida os atores envolvidos levam em conta preocupações ambientais e adotam medidas que atenuem ou eliminem impactos negativos na sociedade e no meio ambiente. Oriente os grupos a considerar a articulação entre proteção ambiental, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento econômico-social.

Com as cadeias produtivas selecionadas, sugira a elaboração de gráficos com etapas, atores e processos, eventuais impactos ambientais e medidas para contê-los. Para tanto, cada grupo deve elaborar um roteiro básico de avaliação, envolvendo os insumos (como são produzidos, se causam impactos e se valorizam a produção local), a produção industrial (geração, descarte e tratamento de resíduos), os sistemas de transporte (modalidades, distâncias e combustíveis) e o consumo final (embalagens, descarte e tratamento dos resíduos). Sugira consultas ao Plano de ação para produção e consumo sustentáveis , do Ministério do Meio Ambiente.

Auxilie os alunos a observar com atenção os esquemas conhecidos como "maquiagem verde", em que as empresas divulgam seu compromisso com a proteção ambiental e a sustentabilidade sem a devida correspondência com suas práticas habituais. Organize tempos e espaços para apresentação e discussão dos resultados, que podem ser feitos em papel ou computador, e promova uma auto-avaliação em relação aos trabalhos.

Avaliação
Leve em conta os objetivos e conteúdos propostos e a participação de cada estudante nas tarefas individuais e coletivas. Considere também o domínio progressivo das noções e conteúdos trabalhados, em especial aqueles relacionados às medidas de proteção ambiental em cadeias produtivas. Observe com atenção a organização do trabalho dos grupos, a exposição oral dos resultados e a clareza e dos textos e esquemas gráficos produzidos.

Leitura de reportagens e produção de resumo sobre a Amazônia

Objetivo 
Ler reportagens para aprofundar o conhecimento sobre polêmicas envolvendo a Amazônia.

Conteúdos 
- Ecossistemas ou biomas brasileiros.
- Resumos de textos jornalísticos.

Anos 6º e 7º.

Tempo estimado Quatro aulas.

Material necessário
Textos que tratem sobre a Amazônia. Algumas sugestões são:
- especial Amazônia, da revista Veja
(disponível em veja.abril.com.br/especiais/amazonia/sumario.html);
- reportagem Amazônia, do Verde às Verdinhas, da revista Super Interessante
(disponível em super.abril.com.br/ecologia/amazonia-verde-verdinhas-461567.shtml)
- reportagem A Verdade sobre a Saúde da Floresta, de Veja
(disponível em veja.abril.com.br/260308/p_094.shtml).

Desenvolvimento 
1ª etapa
Após ler o capítulo do livro didático que trata das características da Amazônia, proponha à turma investigar mais a fundo os interesses envolvidos na manutenção ou destruição da floresta. Nesse debate, poderão surgir aspectos como pesquisa da indústria farmacêutica, preservação da floresta contra o efeito estufa, biodiversidade (do lado da preservação), geração de empregos para moradores da região, agronegócio e corte de madeira (do lado da destruição). Anote as hipóteses no quadro.

2ª etapa Forme pequenos grupos, apresente os textos jornalísticos sobre a Amazônia e peça que cada um pesquise um dos temas levantados durante o debate, enfocando vantagens e desvantagens. Na exploração do material, oriente-os a fazer uma primeira leitura rápida, sem aprofundamentos, atentando para elementos como o título, subtítulo e legendas para selecionar quais reportagens ler com profundidade. 

3ª etapa
Indique que cada grupo leia os textos selecionados procurando destacar, por meio de anotações ou esquemas, dados, conceitos e argumentos principais. Em seguida, oriente-os a fazer um resumo que reúna as informações principais sem que haja cópia.

4ª etapa
Para socializar as diferentes apurações, promova um debate entre os grupos, em que cada um conta à turma as descobertas que fez com a reportagem. Sugira que os alunos anotem no caderno os principais argumentos utilizados. No final, peça um texto individual em que cada um se posicione sobre a seguinte questão: Amazônia - preservação ou destruição? Em que medida e por quê?

Avaliação 
Nas anotações e esquemas, verifique se o estudante consegue retirar dos textos as informações mais relevantes para a compreensão do assunto. Na confecção do resumo, verifique se dados igualmente importantes foram incorporados de maneira clara e coesa. Finalmente, no debate e nos textos opinativos, avalie se os argumentos se amparam em dados da pesquisa. Repetir a atividade com outros temas polêmicos é uma boa opção para que a turma crie familiaridade com os procedimentos de pesquisa e estudo apresentados.

Meio ambiente: as espécies que habitam igapós

Objetivos
- Compreender como vivem as plantas de áreas alagadas.
- Conhecer espécies das áreas de igapó
- Conhecer adaptações de algumas plantas à sobrevivência nesses ambientes.
- Discutir a preservação ambiental.

Conteúdos
- Igapós
- Ecossistemas amazônicos
- Florestas.
- Preservação.
- Adaptações à sobrevivência.

Anos
6º e 7º.

Tempo estimado
Quatro aulas.

Materiais necessários
- Para as aulas: mapa do Brasil com a localização do Rio Negro, na floresta Amazônica, fotos de igapós.
- Para o experimento 1: dois tubos de ensaio, solução de hidróxido de cálcio (água de cal), folhas de plantas (pequenas e bem verdes), papel alumínio.
- Para o experimento 2: dois tubos plásticos grandes e transparentes, terra, sementes de feijão, alfafa e milho, água, infográfico sobre igapós .
Flexibilização
Para alunos com deficiência visual
Antecipe as atividades para o aluno com deficiência visual e disponha de mais tempo para que ele acompanhe cada uma das etapas, se for necessário. Os mapas e o infográfico devem ser adaptados para o braile, com contornos em relevo. No caso da infografia, você pode usar tecidos com texturas diferentes para preencher cada um dos espaços e facilitar a compreensão do aluno. Ofereça a ele alguns textos de apoio, em braile, sobre os igapós e invista na descrição oral das imagens mostradas em sala. A pesquisa pode ser feita em duplas, e o aluno cego conta com a ajuda de softwares que facilitam o acesso à Internet, como o Jauss e o DosVox. Durante o primeiro experimento, deixe que o aluno sinta a textura das folhas, do alumínio e dos tubos de ensaio, descreva o passo a passo e peça que ele faça o registro em braile. O mesmo vale para o cultivo das plantas. Reserve alguns minutos a cada aula para descrever para que os colegas descrevam o estado das sementes submersas nos tubos de ensaio. Se possível, deixe que ele toque o experimento, a fim de acompanhar o desenvolvimento das plantas. Conte sempre com o apoio do profissional do AEE no contraturno.

Introdução
Nas últimas décadas, a preocupação com a preservação ambiental se tornou assunto recorrente em diversos meios de comunicação. A fim de sensibilizar a sociedade para a importância da gestão sustentável das florestas, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2011 o Ano Internacional das Florestas.

No Brasil, país que abriga a maior floresta do mundo, a floresta Amazônica, a escola tem papel fundamental na discussão desse tema tão importante para a formação de cidadãos capazes de compreender a realidade em que vivem. O plano de aula a seguir sugere uma discussão sobre áreas alagadas da floresta Amazônica conhecidas como igapós e sobre como as espécies de plantas sobrevivem nesses ambientes com características tão particulares.

Desenvolvimento
1ª etapa
Comece a aula perguntando o que os alunos sabem sobre áreas que ficam alagadas boa parte do ano. Peça que citem algum local do Brasil que possui essa característica. É provável que mencionem o Pantanal, a maior planície alagável do planeta. Converse sobre as características desse importante bioma com a moçada. Explique que o alagamento ocorre devido ao transbordamento dos rios da região e que isto é muito importante para a manutenção da vida selvagem, pois as águas carregam nutrientes para lugares distantes e, com isso, contribuem para a fertilização do solo. Comente que também existem áreas do bioma amazônico que ficam regularmente inundadas. São os igapós, florestas próximas de rios, como o Rio Negro, que são inundadas no período das chuvas (de janeiro a junho). Mostre um mapa do Brasil com a localização do Rio Negro e algumas fotos de igapós. Então, sugira que façam uma pesquisa para identificar as características dos igapós, destacando suas diferenças em relação ao Pantanal.

2ª etapa
Peça para os estudantes compartilharem os dados de suas pesquisas. Verifique se conseguem concluir que nos igapós, diferentemente das áreas de várzea do Pantanal, a água leva embora os nutrientes do solo, deixando-o arenoso e pouco nutritivo. Então, pergunte: qual a consequência disso? A moçada deve destacar a baixa diversidade de espécies de plantas nessas áreas quando comparadas com porções da floresta Amazônica que não estão sujeitas às inundações. Ressalte, porém, que as espécies de plantas que sobrevivem em igapós têm elevado grau de especialização, sendo capazes de sobreviver nas difíceis condições impostas pelo ciclo das enchentes. Proponha uma nova pesquisa com base em algumas questões sobre as plantas dos igapós: as inundações são um problema para sua fixação no solo? Por quê? Como suas sementes se espalham nas cheias? Qual característica seria importante para uma árvore que vive em um ambiente como esse?

3ª etapa
Com base nas novas informações trazidas pelos alunos, converse sobre as adaptações à sobrevivência que as plantas dos igapós apresentam, como o fato de suas sementes germinarem rapidamente para fixar as raízes antes da próxima cheia. Conte para os alunos que cientistas descobriram que uma espécie de palmeira armazena oxigênio em um tecido nas raízes para garantir a respiração enquanto esta parte da planta está submersa, o que demonstra grande especialização para viver em um igapó. Aproveite esse dado e pergunte: como as plantas que ficam totalmente submersas respiram durante a cheia? É mais provável que a moçada saiba responder como as plantas respiram fora da água, ou seja, por meio da troca de gases com a atmosfera.

Para demonstrar à classe a respiração das plantas, realize um experimento que evidencia a produção de gás carbônico por uma folha. Coloque 5 ml de solução de hidróxido de cálcio (água de cal) em dois tubos de ensaios. Em seguida, coloque uma ou duas folhas dentro de cada um deles. Feche os tubos e cubra um deles com papel alumínio, como mostra a imagem abaixo.
Plano de aula ciências - Igapós
No tubo coberto o resultado é mais evidente. A água de cal fica leitosa por ter contato com o gás carbônico, pois a folha somente realizou a respiração (captou oxigênio e liberou gás carbônico). No caso da folha que ficou no tubo exposto à luz, a água de cal fica bem menos turva, pois a folha realizou a respiração e a fotossíntese (captou gás carbônico e liberou oxigênio).

Voltando à questão da respiração das plantas dos igapós, questione: se as plantas são capazes de retirar o oxigênio (O2) e o gás carbônico (CO2) apenas do ar, como as espécies dos igapós respiram? Explique que elas não realizam esta atividade durante a cheia e que também não realizam a fotossíntese. Essas plantas só sobrevivem porque acumulam substâncias energéticas durante o período de seca.

4ª etapa
Agora que os alunos já refletiram sobre algumas adaptações das plantas para a sobrevivência, apresente a eles o infográfico sobre igapós que contém outros exemplos de plantas e também de animais que frequentam essas áreas alagadas. Relembre que nos igapós a diversidade de espécies de plantas não é tão grande e peça que apresentem explicações para esta característica. Eles devem atrelar essa condição ao fato de serem poucas as espécies de vegetais que sobrevivem submersas por longos períodos de tempo.

Para mostrar aos alunos como o excesso de água é prejudicial para a maioria das plantas, realize outro experimento: o plantio de sementes de milho, alfafa e feijão em dois tubos plásticos transparentes. É importante que estes tubos sejam compridos para que, a partir de um certo momento, em um deles as plantas fiquem submersas. Antes disso, ofereça condições ideais de germinação e crescimento para todas as plantas, mantendo-as em local iluminado e regando sempre que necessário. Quando as plantas atingirem um tamanho razoável, realize a "inundação" em um dos recipientes. Após alguns dias, observe com a moçada as plantas submersas e pergunte por que elas não resistiram a tanta água. Anote as respostas no quadro e verifique se entre elas está a ausência de características que permitem a um ser vivo sobreviver em condições ambientais diferenciadas, como sob excesso de água e em solo pobre em nutrientes, algo próprio de áreas de igapós.

Avaliação
Para avaliar a compreensão da turma a respeito do tema proponha que os alunos façam uma síntese sobre o que aprenderam, explicando as adaptações necessárias à sobrevivência das plantas de igapós. Solicite também que relacionem estas especializações com a variedade de espécies e a importância da preservação destes ambientes.

Projeto didático: Lua e conceitos de Astronomia

Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10

Veja neste projeto como apresentar conteúdos básicos de Astronomia aos adultos, sem deixar de lado as lendas já conhecidas por eles. Esta é uma boa oportunidade para aproximar ciência do cotidiano e ciência escolar.

Professor Felipe ajuda alunos da EJA com o telescópio. Imagem: Marina Piedade
Objetivos 
- Analisar a Lua como objeto de estudo
- Relacionar conceitos básicos de Astronomia com conhecimentos prévios

Conteúdos 

- Conceitos de satélite, planeta e estrela
- Noções de observador e referencial
- Corpos luminosos e iluminados
- Movimentos de rotação e translação

Anos
8º e 9º anos

Tempo estimado

Oito aulas

Materiais necessários

- Projetor multimídia
Vídeo do contador de "causos" Compadre Timóteo 
- Imagens da Lua e da Terra vista do espaço (podem ser encontradas em sites, como a página da NASA na internet )
- Computador para manipular e apresentar as imagens aos alunos as imagens
Software Stellarium instalado no computador (o programa é gratuito)
- Telescópio ou outras ferramentas para observação do céu (luneta ou  câmera digital com zoom, por exemplo)
Desenvolvimento 
1º etapa
Pergunte se alguém conhece algum episódio ou conto popular sobre a Lua e peça que relate com detalhes. Se não surgirem naturalmente, mencione algumas crenças comuns como a influência do satélite nas plantações, nas marés, no crescimento de cabelos, na vida amorosa das pessoas ou na realização de desejos e profecias. Pergunte se eles já ouviram algo parecido antes e o que acham disso. Se houver histórias sobre esses outros temas, organize um momento para que contem e evidenciem o papel do nosso satélite em cada caso. Para ativar o repertório dos adultos você também pode exibir o vídeo do contador de "causos" Compadre Timóteo .



Outra alternativa é passar a música "Lua Branca", de Chiquinha Gonzaga (disponível no vídeo abaixo a partir de 01 minuto e 29 segundos).



O eu-lírico da canção pede ajuda da Lua para não sofrer mais por amor. Esta pode ser uma oportunidade para inspirar os estudantes a falarem sobre o tema.

2º etapa
Este é o momento de escrever os causos narrados oralmente na etapa anterior. Para melhor orientar o grupo, proponha um pré-roteiro com algumas perguntas. Você pode formular outras ou usar algumas destas:

1. Como você ficou sabendo dessa história?
2. Onde e quando ela ocorreu?
3. Quem são os personagens e o que acontece com eles?
4. O acontecimento principal se repete com alguma frequência, por exemplo, a cada Lua cheia?
5. Qual é o papel da Lua no enredo?


Pergunte se alguém acredita nestes episódios. Isso vai ser importante nas próximas etapas, quando as crenças da cultura popular servirão de base para a discussão sobre o pensamento científico. Conforme as habilidades dos seus alunos com a escrita, você pode propor um roteiro mais aberto e, assim, explorar a criatividade do grupo.

3º etapa
Para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita das turmas de EJA é fundamental que os estudantes reescrevam os próprios textos. Por isso, faça anotações nas redações e discuta com todos os principais problemas de coesão, coerência, concordância e ortografia. A seguir peça uma reescrita dos contos. Os alunos deverão revisar as redações e corrigir os pontos anotados. Nessa etapa, para dar conta da heterogeneidade da turma, peça que leiam os textos uns dos outros e procurem por eventuais problemas. Assim, um pode ajudar o outro a melhorar.

4º etapa

Organize uma etapa expositiva sobre a Lua. Deixe bem claro que esse é o único satélite natural do nosso planeta e que suas diferentes fases são o resultado da iluminação do Sol. Nessa exposição, use muitas imagens e esquemas explicativos (como esta apresentação que explica que existe apenas uma Lua e esclarece porque há fases lunares). Outra sugestão é procurar na internet imagens da Lua e da Terra vistas a partir de satélites e naves espaciais.

É muito comum entre os alunos da EJA a concepção de que o céu é como uma "lona de circo", onde as estrelas estão "presas". Enfatize que existe uma profundidade no céu, que é difícil ser percebida e que requer a capacidade de abstrair e tentar se colocar em outro ponto de observação.

5º etapa
Muita gente acredita que acontecem mais nascimentos na "virada da Lua". Analise com os alunos um calendário e identifique os dias das mudanças de fases lunares. Depois, peça que eles prevejam o que aconteceria se a hipótese do senso comum estivesse correta:  nessas datas deveria haver mais nascimentos que em outras. Conte que um cientista coletou datas de aniversário e contrapôs estas datas com um calendário, destacando os ciclos lunares. Se possível, exiba o gráfico obtido no estudo "Marés, fases principais da Lua e bebês".O objetivo é que os próprios alunos interpretem os resultados e cheguem à conclusão de que, do ponto de vista científico, as conclusões rejeitam a hipótese de que a Lua influencia os nascimentos, já que um número aproximadamente igual de partos acontece em cada dia do mês.

6º etapa

Organize com seus alunos uma observação do nosso satélite. Escolha um local bem aberto, de onde se possa ver o céu à noite e de preferência sem muita luz artificial. Verifique se a previsão do tempo é favorável, pois muitas nuvens e chuva podem impedir a visualização. Caso disponha de um telescópio ou luneta, a fase ideal para observação é a crescente, quando é possível ver a transição entre as partes iluminadas e não iluminadas e quando a Lua está no alto do céu no início da noite.

A experiência pode ser muito positiva e motivadora. O ideal é que a observação dure mais de uma hora, para que haja tempo de perceber o movimento que a Lua descreve no céu e as manchas em sua superfície. Durante a atividade, caso esteja usando um instrumento que fique fixo (em um tripé, por exemplo), ficará evidente que a Lua sai rapidamente do campo de visão. Em geral, os alunos comentam que a Lua "se move rápido demais". Esse é um bom momento para discutir a rotação da Terra, responsável pela impressão de deslocamento. Caso estejam visíveis, aproveite para mostrar astros, como planetas e constelações conhecidas (Cruzeiro do Sul ou Três Marias, por exemplo).

Caso não tenha acesso a um telescópio, você pode usar uma luneta, um binóculo ou até mesmo o zoom de uma câmera fotográfica digital. Outra possibilidade é convidar astrônomos amadores para realizar uma observação na sua escola. Existem clubes de astronomia em todo o Brasil que disponibilizam telescópios. Você encontra uma lista deles disponível na internet

Além disso, há a possibilidade de comandar um telescópio remotamente, via internet. Mais informações no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e na página Telescópio na escola.

Caso as condições não sejam propícias, tente projetar uma simulação de céu noturno. Para isso, serão necessários um computador, um projetor multimídia e o programa Stellarium, disponível gratuitamente na internet. Este software simula os movimentos do céu, como em um planetário, e possibilita visualizar detalhes dos astros. A recomendação é que você acesse o site do software com antecedência e mexa no programa antes das aulas, para se adaptar e ficar à vontade durante a exposição.

7º etapa
Após observarem as manchas claras e escuras na Lua, discuta a impressão que muitas pessoas têm de ver fisionomias e objetos na superfície do satélite. Há quem afirme ver rostos, outros veem um coelho e muita gente acredita que ali está São Jorge em seu cavalo. Investigue se na turma há algum aluno que tem essa impressão, projete uma imagem da Lua no quadro e peça que esse estudante mostre o que vê à turma.

Procure imagens que se aproximam progressivamente do satélite, mostrando que a superfície dela é irregular, como a da Terra. O que se vê como manchas claras e escuras é o resultado do relevo, com montanhas, planícies e crateras. É interessante mostrar imagens da Lua tiradas com satélites ou até mesmo das missões tripuladas. Há muitos recursos na internet e especialmente no site da Nasa (em inglês).

Avaliação
Ao longo de todas as etapas, o professor deve observar se os alunos passaram a utilizar termos científicos (como planeta e satélite) e se utilizam esses nomes de maneira correta. Verifique se o grupo é capaz de transpor esses aprendizados para a linguagem escrita. Uma possibilidade é pedir que redijam sobre ideias comuns do conhecimento popular. Ao analisar as ideias de outras pessoas, os alunos retomam as suas próprias e revelam os termos e conteúdos dos quais se apropriaram.

1. Para avaliar se compreenderam a influência da Lua nos nascimentos, sugira que comentem o seguinte diálogo fictício pensando no que aprenderam:

PAULA: Estou grávida de quase nove meses! Já está para nascer!
ROBERTA: Quarta-feira é a virada da Lua e por isso o bebê vai nascer. Na virada da Lua acontecem muito mais nascimentos. 


2. Outro ponto importante desta sequência didática é que a Lua é apenas uma, mas que a vemos diferentemente dependendo da fase ou do local de observação. Sobre isso, os alunos poderiam comentar as seguintes afirmações:

A cada semana, vemos uma Lua diferente. Primeiro vem a Lua cheia, depois vem outra, que é a minguante, depois a nova e por último a crescente. Ao todo, são quatro luas.

Uma pessoa nascida em um sítio comenta com outra nascida em uma grande cidade: "A Lua da minha terra é mais linda que a daqui! Ela é maior, mais brilhante e mais bonita!"

3. Um terceiro ponto importante é a natureza das manchas que vemos na Lua. Sobre isso, o diálogo a seguir pode ser comentado pelos alunos:

MARIA: Hoje São Jorge está bonito na Lua!
ANA: Que nada, hoje só se vê um coelho!
JOSÉ: O que eu estou vendo é o rosto do meu avô, que já morreu.

Quer saber mais?
SILVEIRA, Fernando Lang. Marés, fases principais da Lua e bebês. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Florianópolis, v.20, n. 1: p.10-29, abr. 2003.